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Projecto de Intervenção do Agrupamento de Escolas de Vila Cova - Barcelos

Evaldo Barros
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Às 18:16 em 13 maio 2008, Paulo M. Faria disse...
Obrigado, Evaldo pelo filme! Mas o homem da máquina controla mesmo tudo? Gostava de o conhecer...
Até breve.
Às 21:03 em 29 abril 2008, Cristina disse...
Olá meu amiiiiigo. É tão bom ver-te por aqui...Espero que tenhas tempo e disposição para partilhares todas as descobertas que fazes no mundo dos livros, do teatro, da música... e do Circo :o)
Adorei a tua última "proposta" literária: "A rapariga (menina, na tua "versão") que roubava livros" é um livro daqueles que ao mesmo tempo que desejamos chegar ao fim, porque queremos saber qual o "destino" dos personagens que constroem a história, "poupamos" a leitura de cada uma das páginas para tentar que ele nunca termine...
Um abraaaaaaaaaaaaço... e agora "mãos à obra", pois esperamos que a tua participação neste espaço seja frequente...

Nota:Prometo que da próxima vez que o Paulo for assistir a um dos teus espectáculos, vai ficar até ao fim...nem que a gente o tenha de amarrar, não é Paulinho? Ele tem um quê de Speedy Gonzales, "the fastest "prof" in all Agrupamento" :o)
Às 18:39 em 28 abril 2008, Paulo M. Faria disse...
Bem-vindo, Evaldo.
Ficamos muito felizes por aceitares o convite de integrar esta grande comunidade. Contamos contigo, sobretudo para que nos fales das tuas experiências no teatro, na poesia e tudo o que quiseres partilhar.
Obrigado.

Informações do Perfil

Relationship Status:
Single
About me:
Actor, Formador, Contador de Histórias,...
Website:
http://br.youtube.com/watch?v=QZhJbsXHL4s
Área de actividade profissional:
Artística
Interesses pessoais
Livros, e tudo o resto que diz respeito à natureza e à humanidade!
Enquanto estou vivo...

Não tenho filhos, mas creio que uma das coisas mais dolorosas que podem acontecer a um ser vivente é assistir à morte de um filho. Ainda mais se for filho único…
Foi o que aconteceu à D. Miosótis, uma senhora que mora algumas casas acima, na minha pequena rua. Digo pequena porque minha rua começa na esquina de baixo e termina logo ali, na esquina de cima. Mas com muita história para contar…
Pois D. Miosótis tivera uma única filha, que entretanto se casou, foi feliz, deu-lhe netos. Um dia estava a falar com a mãe ao telefone e, a meio de um assunto qualquer, sentiu uma dor fulminante e teve um ataque fatal. D. Miosótis, que acabara de se tornar viúva, nunca mais foi a mesma. Todos os sábados, religiosamente, deposita sobre o túmulo da filha um ramo de flores…
“Faz hoje certinho 2 anos e 4 meses que minha filha se foi…”
Dividida entre cuidar dos netos, já jovens, e a encontrar as flores certas para a rotina que se instalou desde então, emociona-se com facilidade…Encontrou em mim mais um ombro amigo para consolar-se nos dias de maior aflição…
“Amanhã completam 3 anos e 2 meses que minha Violeta se foi…Devo levar-lhe flores amanhã…E as flores andam tão caras…”
Foi nessa altura que perguntei quanto ela gastava ao mês com flores e o montante deixou-me abismado! Claro que cada um faz o que bem entende com seu próprio capital, mas tratando-se de uma senhora sem grandes posses…
“A senhora não acha que pode reduzir um pouco as despesas com as flores?” – disse-lhe eu.
“Mas deixar minha filha sem flores?” – respondeu rápida, sem querer respostas.
E foi aí que, sem querer ofender, lancei a pergunta impensável:
“A senhora já ofereceu flores a alguém…vivo?”
Nunca imaginei que uma simples pergunta poderia desencadear tanta incredulidade, tanta revolta, tanto assombro…
“Nunca! Os vivos não precisam de flores!!!”
E retirou-se pondo fim à questão…

Fico a pensar nessas pessoas que nunca ofereceram flores…Não por serem insensíveis, não por serem alérgicas, não por acharem que é dinheiro mal gasto, não por acreditarem que as flores são para estarem nos jardins, vivas, por nada disso…Penso naquelas que não têm amizade, simplicidade e até generosidade para oferecer flores a alguém…vivo.

Dizem que os homens não gostam nem se importam com flores. Mas não é verdade…Eu adoro flores. Sempre gostei! E creio que nunca levei flores a um cemitério em toda minha vida…E sempre que posso, ofereço flores!

Lembro-me dos tempos da Universidade…Vivia em uma república de estudantes e estava no auge de meus 19 anos. Morava mesmo ao lado de uma floricultura. Às vezes, ia ao lixo à procura de flores que já não se vendiam, mas que ainda estavam belas. E oferecia-las ou levava-as para casa. Cheguei a oferecer, nos anos de amigas mais íntimas, uma chuva de pétalas de rosas…A proprietária da floricultura, D. Rosa, ao presenciar tão nobre gesto do jovem universitário, tornou-se minha amiga. Quando ia deitar ao lixo as rosas já abertas e as flores velhas, e que não seriam mais vendidas, oferecia-mas. Já era conhecida minha fama em torno das flores…
Certa vez recebi um botão de rosa branco em casa, arranjado em um belo raminho. Anexo vinha um cartão, anónimo, a desejar boa semana. “Que simpático!” – pensei eu. Na outra semana, foi um botão de rosa amarelo, bem claro. O cartão dizia que eu era uma pessoa maravilhosa, desejava novamente uma boa semana. Semana após semana, fui recebendo rosas de todos os matizes possíveis, num crescendo, sempre anónimas, com cartões a condizer em ousadia, até chegar ao vermelho paixão! Sempre perguntei à D. Rosa, durante todos esses meses, quem estava a enviar aquelas flores, quem era a pessoa anónima que estava a assediar-me de tal forma. Ela guardava aquela informação como o maior segredo profissional de todos os tempos… Chegaram meus anos e fui chamado logo pela manhã à floricultura. Vinte rosas vermelhas, em igual número dos anos que completara, em um ramo imenso e surpreendente! E um cartão de felicitações, anónimo, dando a tacada final:
“Marque hora e local para encontrarmo-nos e para que eu revele o meu mais profundo amor. Venha sem pressa… Sempre e eternamente tua…”
Fui seguidas vezes à D. Rosa e cheguei a implorar para que me dissesse quem era minha admiradora secreta. Diante de minha súplica, enfim, ela revelou-me que era uma senhora com o dobro de minha idade, funcionária da Universidade onde eu andava, e que morava perto de casa. Era muito querida e simpática, mas para a jovialidade dos meus recém 20 anos, era demasiado velha para mim…Enviei-lhe… flores! E declinei o convite alegando estar a viver uma paixão em outra cidade, e a exaltar sua nobre conduta! Foram anos nos quais sempre tive flores em casa…Passados 20 anos, lembro-me desse período com uma leve nostalgia…
É escusado levar flores à minha campa depois da minha passagem desta vida…Se quiserem oferecer-me flores, façam-no agora, enquanto estou vivo!!!

Evaldo Barros*




Estudo opus 10 nº3

Gosto do poder das palavras... Posso escrever páginas e páginas para traduzir o que poderia dizer em duas linhas. Mas não me interessa minimamente a síntese. Os detalhes é que fazem a diferença... São como os pensamentos... Posso pensar em um objectivo último, o que levaria segundos para fazê-lo. Mas por que desperdiçar o caminho, as paisagens e os momentos? Apenas quando voo longas distâncias permito-me cerrar os olhos. Afinal as janelas dos aviões são absolutamente pequenas e quase nada há para ver, além do infinito azul. Sim, às vezes tem nuvens fantásticas, mas só em determinada altitude. A maioria das vezes voamos em uma altitude bem superior, muito acima das nuvens e de suas formas impossíveis. Isso quando o voo é diurno, pois quando é nocturno nada há através da janela minúscula além da escuridão...
Mas voltemos ao caminho. Disse o sábio que “quando caminhamos não há nenhum caminhante, só o caminhar”! O verbo! No princípio era o verbo! E é assim quando me ponho a caminho... Posso viajar todos os caminhos através da palavra sem sair do lugar. Sei que estás a pensar onde quero chegar... Mas ainda há pouco iniciei essa jornada, mal comecei a desfrutar a paisagem, nem pude espreitar os infinitos atalhos que surgem como cogumelos à minha volta...
Já escrevi vinte e cinco linhas e ainda não disse nada. E não direi nada que possa denunciar meu real interesse em escrever este texto.
Poderia dizer simplesmente que Estudo opus 10 nº3 é um estudo de Chopin o qual estou a ouvir neste momento! Mas dizer isso assim não é uma história e não tem interesse nenhum...
Escondido em minha memória, em um sótão empoeirado e abandonado que já não existe mais, há uma colecção de álbuns de uma série chamada Masters of Classical Music. Ou talvez não seja este o nome... Lembro-me das capas, de um amarelo ocre, escrito em letras grandes e brancas o nome da série, o compositor, e as peças nele contidas. E um pequeno retrato do artista, a preto e branco no canto superior esquerdo. Já não sei onde foram parar estes álbuns... Mas sei que foi aí, mal tinha eu nascido para esta vida, e durante toda minha infância, que formei minha cultura clássica, o gosto pelo piano, pela ópera, pela música de câmara, pelas grandes orquestras. Nunca me perguntei o que aquelas músicas significavam, mas sempre estive atento às sensações que provocavam em mim. Descobrir um significado último seria enterrar o poder da música, encaixotá-la, colocar a música em uma mísera gaveta com etiquetas inteligentes e precisas. Não! Uma música jamais pode ser algo para mim eternamente. Se hoje uma canção me faz lembrar alguém, amanhã poderá fazer-me rir de minhas desgraças, ou ainda lembrar de um prato delicioso que comi naquele restaurante chiquetérrimo que fui quando estive em Itália pela primeira vez, quando meu amigo fez uma cena de ciúmes dizendo que sua esposa só tinha olhos para mim, que ficávamos bem sem ele e abandonou-me ali, sem falar italiano, com uma pessoa que supostamente era sua esposa, e que eu tinha conhecido dois dias antes! Pois neste momento o pianista tocava Chopin lindamente, e o sabor daquela pasta era sublime. É claro que isto é uma outra história, e que hoje falo italiano o suficiente para me desenrascar em uma situação destas, mas no momento fiquei mudo como um anão de jardim... Há quem singularmente abomine os anões de jardim... Pois eu, se tivesse um jardim, teria sim anões e cogumelos, mas também criaturas bizarras o quanto baste. Mais um atalho nesta jornada e vem em minha memória a fazenda de uma artista que viveu no interior do Brasil. Não sei se ela ainda é viva ou se já morreu... Maria Amélia Botelho de Sousa Aranha é seu nome. (sempre achei lindo esses nomes compridos, como se fosse nome de rainha...). Ela viveu por uns tempos em uma daquelas antigas fazendas coloniais e minha mãe, naquela época, leccionava na pequena escola rural da propriedade, onde estudava a miudagem, filhos dos empregados da fazenda. Lembro-me da casa grande, ricamente decorada em seus mínimos detalhes... Lembro-me de um caminho que conduzia-nos à piscina, caminho esse ladeado por árvores milimetricamente dispostas ao longo da estrada estreita. Eram plátanos, eu acho... E depois a piscina, naquela manhã com uma camada leve de folhas acastanhadas na superfície... Em torno da piscina, esculturas em tamanho natural de quase todos os Deuses do Olimpo! Sim, deuses gregos contemplavam a ausência de corpos impossíveis que poderiam banhar-se naquelas águas ténues... Isso tudo perdido no meio do nada... Não sei se existe ainda aquele lugar, perdido no tempo. Aquela casa imensa desabitada. E os deuses gregos. Quando vejo anões de jardim remeto-me sempre àquele espaço etéreo como se não existisse além de meus pensamentos. Mas garanto-vos de que é real, ou era...
Mas voltemos ao tema principal que já é hora de acariciarmos os reais propósitos destas linhas...
Naquela noite (que já lá vão dias desde o ocorrido) corri ao dicionário, Novo Dicionário LELLO da Língua Portuguesa, segunda edição, Fevereiro de 1999, e vasculho-o até encontrar o termo que me vai na alma... E lá está, na página 1868, o termo que, pensava eu, poderia traduzir meus mais profundos sentimentos. Ledo engano! As palavras conduzem-nos a outros tantos termos mas nenhum deles traduz aquilo que dilacera meu peito e meus sentidos. Preciso respirar e não consigo. Dirijo-me à varanda para fumar um cigarro! Outro grande engano! Se não consigo respirar vou agora entupir meus pulmões com uma fumaça que não me leva a nada? Atiro longe o cigarro e, por agora, estou livre desse mal!
Mas a vontade de asfixiar-me não tardará, eu sei, e vou sucumbir de todas as maneiras só para que passe aquela sensação primeira que quase toma meu corpo, meus pensamentos, meus sentidos, minhas mais remotas lembranças...
Ok! Prometo que deixarei uma versão resumida deste texto no final! Mas se chegaste até aqui, caro leitor, porque não continuas? A não ser que hoje passe na televisão o último capítulo daquela telenovela de moral duvidosa que você não sobrevive sem ver. Neste caso, que é de vida ou de morte, tudo bem! Apresse-se até o final do texto e leia as duas últimas linhas, devidamente assinaladas como “Resumo sintético da obra acima”...

Continuas comigo? Entre de volta a bordo e sigamos esta pequena e inverosímil viagem! Quem poderá atestar sua verosimilhança que atire o primeiro pergaminho, ou a primeira estrofe de um poema esquecido!...

Voltemos ao referido dicionário e a primeira referência que surge é “s.f.”, que quer designar o género do termo procurado. Substantivo feminino. Grande ironia... Quero eu lá saber o género da palavra? Essa coisa de género desespera-me muitas vezes. E também algumas palavras... Exemplos? Como pode “tudo junto” escrever-se separado e “separado” escrever-se tudo junto? Teria outros tantos exemplos mas não vou por aí...
Depois temos “qualidade ou estado do que é...” Desculpe mas como algo pode ser uma qualidade ou um estado? E finalmente arrola-se uma porção de novos termos que obriga-nos a novas consultas de outros termos, mas até aqui ninguém nem sequer suspeita o que me vai na alma!

Não é apenas por estar com um membro “enfaixado” que passarei repentinamente a sentir-me como uma autêntica múmia dos tempos dos faraós! Mas o acidente que a providência divina reservou-me (e nesta altura dos acontecimentos só posso pensar assim!) desencadeou uma série de sensações/sentimentos contraditórios e complementares ao mesmo tempo... E sei que não estarei assim eternamente... Fico então a tentar superar-me de todas as maneiras e estabeleço um tipo de contrato com o Senhor do Tempo, para que as horas passem, bem como os dias e as semanas, para que logo ultrapasse este calvário. E há dias e dias...

Pois foi em um destes ditos dias que ela chegou, sorrateira, leve e insinuante como uma serpente emplumada. Agarrou-se aos meus pés, subiu lentamente pelas minhas pernas e foi me envolvendo plena e definitivamente, feito planta parasita que envolve e asfixia lentamente aquele que a sustenta. Quando dou por ela tento de todas as maneiras livrar-me dos males e de seus infinitos abraços que me envolvem. Tento dançar pela casa três vezes vazia, a carregar junto ao peito um membro inerte, mas uma dor fisga-me por dentro e vejo sinais de que não é por aí... Canto em voz alta pelos cómodos da casa desolada (já sou apenas um espectro que flutua pelos corredores imensos...), mas já é demasiado tarde e compreendo finalmente que devo aceitar o que me consome e me atormenta. Resta apenas sobreviver à tormenta sem medos, sem culpas, sem nada de nada. O que sinto, como me sinto, o que penso, o que penso que penso... Sem alternativas procuro pelas gavetas, debaixo dos móveis, dentro de pequeninas caixas amontoadas onde outrora situava-se o sótão (isso era antes, mas acostumei-me a chamar de sótão o lugar onde hoje repousam as velharias de meu antigo sótão!), e eis que tenho como último álibi um riquíssimo Dicionário, que pretende conter todas as palavras, todos os nomes, tudo o que se denomina...
Mas o que vem ali descrito em nada coincide com meu mais íntimo sentimento. Já não há ninguém nem algo que me julgue a existência!


Resumo sintético da obra acima:

Sinto imensa TRISTEZA! Ouço Estudo opus 10, nº3 de Chopin, também conhecido por “Tristesse”!


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Estudo opus 10 nº3

Gosto do poder das palavras... Posso escrever páginas e páginas para traduzir o que poderia dizer em duas linhas. Mas não me interessa minimamente a síntese. Os detalhes é que fazem a diferença... São como os pensamentos... Posso pensar em um objectivo último, o que levaria segundos para fazê-lo. Mas por que desperdiçar o caminho, as paisagens e os momentos? Apenas quando voo longas distâncias permito-me cerrar os olhos. Afinal as janelas dos aviões são absolutamente pequenas e quase nada há par… Continuar

Postado em 29 junho 2008 às 14:46 ‚Äî 2 Comentários

Evaldo Barros

Enquanto estou vivo...

Não tenho filhos, mas creio que uma das coisas mais dolorosas que podem acontecer a um ser vivente é assistir à morte de um filho. Ainda mais se for filho único…
Foi o que aconteceu à D. Miosótis, uma senhora que mora algumas casas acima, na minha pequena rua. Digo pequena porque minha rua começa na esquina de baixo e termina logo ali, na esquina de cima. Mas com muita história para contar…
Pois D. Miosótis tivera uma única filha, que entretanto se casou, foi feliz, deu-lhe netos. Um dia estava… Continuar

Postado em 29 junho 2008 às 14:45 ‚Äî

 
 

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