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Projecto de Intervenção do Agrupamento de Escolas de Vila Cova - Barcelos

Respostas a este tópico

Apesar de o assunto ser muito pouco ficcional, creio que poderá ser um bom tópico de discussão, na medida em que nos levará seguramente a rever filosofias, métodos, paradigmas de ensino aprendizagem - e também a ler mais um bocadinho. Para já sugiro que se reflicta acerca do paradigma sócio-construtivista em desenvolvimento nas nossas escolas.

P.S. Obrigado, Cristóvão, pelos contributos para dinamizar esta plataforma.

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Talvez a questão dos prós e contras dos "TPC" não deva ser um jogo de ping-pong entre escola e família. É um facto que cada vez mais as crianças passam grande parte do dia na escola, mas a importância dos "trabalhos de casa" q.b. não deve ser esquecida. Como docente reconheço a importância do "treino" e da aquisição de hábitos de estudo para o sucesso escolar de um aluno. Nesta questão, como em muitas outras, o bom-senso é fundamental...Como Educadora de Infância, e até como adulta, reconheço a importância que tem o acto de "Brincar". Os Pais queixam-se que os seus filhos não têm tempo para brincar, apontando na maioria das vezes um dedo acusador à Escola...Mas será que estes mesmos pais, quando inscrevem os seus filhos em "trezentas" actividades extra-escolares, como por exemplo inglês, natação, ballet, música, karaté (reconhecendo todas as vantagens que estas actividades trazem para o desenvolvimento das crianças), pensam no tempo que estão a tirar aos seus filhos para que simplesmente...brinquem?! Quantos de nós, mesmo não me incluindo no grupo dos "pais", deixam de ter tempo para fazer aquilo que lhes dá prazer (ou seja, de brincar) porque passam o tempo a correr de um lado para o outro, para irem buscar os filhos à escola e os levar à piscina, ao ginásio, à escola de música ou de dança?! Mesmo podendo ser mal interpretada, querem um conselho? Vão buscá-los à escola e levem-nos ao parque, vão dar um passeio pela praia ou simplesmente deixem-nos ajudar na confecção do jantar ou da sobremesa :o)

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A reportagem parece-me muito interessante e aponta-nos várias pontos para reflectir. Um deles é na minha perspectiva de Pai e Professor, o trabalho de casa. Ora, num sistema como o de actualmente em que os nossos alunos chegam à escola pelas 8h30 (provavelmente estarão acordados pelo menos desde as 7h30) e da qual saem pelas 17h00. Seguramente a maioria deles não chegará a casa antes das 17h30/18h00. Pois se ainda deverão lanchar e porque não descansar um pouco (será que também não têm direito!!), onde está o tempo para se divertirem.
Tenho duas filhas ainda novas é verdade, mas já não as vejo muito brincar. Ainda bem que temos o fim de semana, com cartequeses, actividades desportivas, saidas com os pais e ainda trabalhos de casa normalmente a dobrar.
Mas há muito mais, para mais tarde.... Antes, gostava de ouvir a opinião de outros colegas sobre este assunto.

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Não é que não tenha opinião própria sobre o assunto, mas a verdade é que o Professor Boaventura de Sousa Santos, guru da Sociologia, em Portugal, de uma forma simples e clara destaca o fundamental da questão num artigo de opinião publicado na Visão, já em 9 de Setembro de 2004. Pode aceder-se ao texto aqui.
De então para cá, no ataque neoliberal à escola pública, têm-se aliado, consciente ou inconscientemente, os críticos do paradigma sócio-construtivista (que, em Portugal, não tem sido mais do que um conjunto de experiências pouco consistentes.
Saliento uma frase de B. S. Santos: «Só há projecto nacional se houver uma comunidade nacional e esta não existe se as desigualdades sociais forem grandes.»

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Continuando a discussão...
Este assunto e uma conversa que tive ontem, à hora da saída da escola, com dois colegas, fizeram-me recordar um livro imenso (mais de setecentas páginas de impiedosa exposição caricatural de uma geração impregnada de presunção, ganância, desejo do poder e coisas que tais). Um livro imenso que deu origem a um filme menor de Brian de Palma, com Tom Hanks, Bruce Willis, Melanie Griffith, Morgan Freeman, Kim Cattrall... Elenco de luxo! Mas o filme não deixa de ser rasca para quem aprecia cinema.
O filme e o livro intitulam-se "A Fogueira das Vaidades". O primeiro dispensa-se. O segundo, o livro de Tom Wolfe, aconselho-o. De forma alguma pode ser considerado rasca. É soberbo e, de forma romanceada, faz um retrato corrosivo da sociedade nova-iorquina. Não pretendo dizer tudo o que penso do livro neste espaço. Tem de ser noutro post, porque daria para escrever muito.
Aqui importa a forma como o romance retrata o sistema educativo americano, demolindo um dos pilares da sociedade americana: a igualdade de oportunidades: por um lado, um ensino destinado às classes mais desfavorecidas e "mentes inferiores" com testes de perguntas de verdadeiro ou falso, de escolha múltipla, a ausência de trabalhos escritos, de actividades e disciplinas que estimulem o desenvolvimento do pensamento crítico ou de análise; e um outro para as elites. A educação serve, assim, de forma mais ou menos camuflada, para o aumento das clivagens sociais. No palco mediático, a distância que separa uns de outros encurta-se com os exemplos excepcionais dos que ascendem à casta superior... graças ao mérito. Porém, a impermeabilidade é cada vez mais notória e os casos exemplares servem o engodo, a ilusão de que todos beneficiam das mesmas oportunidades. Se não conseguiste, foi porque não o mereceste! Não te esforçaste o suficiente para o alcançar... apesar de... apesar de termos gasto x por cento do PIB na tua educação.

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Vi o vídeo de uma forma muito ligeira, mas soou-me um pouco a Pedagogia Waldorf...à qual, hoje em dia, não lhe são reconhecidas apenas "vantagens"... Mas afinal na Finlândia existem ou não existem rankings? Parece que sim, mas torná-los públicos dá direito à intervenção do tribunal!!! Bem, mas que raio de exemplo o Sócrates arranjou...e a julgar pelas recentes notícias, à americana, mais valia ter escolhido outro exemplo...

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Não há trabalhos de casa...Mas será que os alunos não estudam no remanso (esperemos!) do lar, ao menos? Ou o estudo faz-se também na escola? Gostava de saber. É que, mesmo não havendo trabalhos de casa, tem de haver, pelo menos, algum estudo, ou num lado ou noutro. E atenção, até posso concordar que se marquem ou não trabalhos...Depende do quê, de como é previamente preparado na aula, das idades dos alunos, ou do nosso método. Sei de uma colega cujo filho frequentava o Externato de Ruilhe de Braga e cada vez que este tinha teste de Geografia - só no caso desta disciplina - ele não estudava, porque dizia que o professor explicava tão bem a matéria, recorrendo a vídeos, etc, (não dava apontamentos!) que não era preciso (e era aluno de excelente!). Falta agora o MEA CULPA.
Mas para avançar um pouco mais nas críticas em relação ao paradigma construtivista, gostaria de saber se alguém já leu o livro do Nuno Crato "O Eduquês em Discurso Directo", onde o próprio autor ataca com veemência o ensino tendo em vista o desenvolvimento de competências, nos moldes em que aquele e estas são apresentados (competências gerais e específicas). Critica ainda a forma como as ideias desse paradigma favorecem um ensino aligeirado e até pouco rigoroso da Matemática, que é uma ciência exacta e cuja importância não deve ser menosprezada (sem falar no ensino da Língua Portuguesa, acrescento eu, embora não seja esta disciplina das ciências exactas e não venha ao caso; também não li o livro todo por ter que devolvê-lo à biblioteca, e até ao ponto em que fiquei não falava desta disciplina). É assim que, em livros emanados do Ministério o ensino da Matemática é "aconselhado" (encarado?) quase como se fosse um treino de aproximação ao cálculo! É ridículo!
Cristina e Caravana, já leram esse livro e esses textos?
Segundo o mesmo autor, mesmo sem querer deixamo-nos levar por essas ideias de pouco rigor que se infiltram através das "reciclagens" que vamos fazendo ou por outros meios...
O Nuno Crato defende que tem de haver rigor e exigência, mas diz também que os alunos com mais dificuldades podem e devem seguir outras vias ou ser acompanhados de outra forma... Quanto aos exames, ele defendia que deviam ser feitos, mesmo no 9º ano. Isto quer dizer que no ensino básico tem de haver essa exigência, mas também acompanhamento dos alunos com dificuldades.
Por fim, para ir de encontro às opiniões do Aires sobre a escola de hoje, que inculca a competitividade e não a colaboração, eu julgo que temos de caminhar ainda muito para chegarmos a uma escola inclusiva. Alguma vez lá chegaremos? Quando achamos que estamos a incluir, estamos, na verdade, a excluir - a mesma criação e prestação de aulas de apoio pedagógico acrescido, nos moldes em que de ínício eram facultadas, apenas perpetuavam as desigualdades. A forma como hoje a sociedade está estruturada também dificulta o nosso trabalho, e o sistema é mentiroso, pois os currículos são-nos impostos pelo governo, que assim faz infiltrar, através de nós, mesmo sem querermos, a ideia do tipo de cidadão que quer que as crianças ou adolescentes venham a ser... cordatos, obedientes, cordeiros. Todos nós, ou não, dependendo do curso que tiramos, tivemos disciplinas relacionadas com desenvolvimento curricular e sabemos que assim é. E este raciocínio poderia ainda levar-me a outro, cujo alcance total não foi por mim vislumbrado, porque o receio, mas do qual necessito para me pôr em confronto comigo mesmo ,e a minha - até que ponto nossa também digo eu, mas não tenho que apontar dedos..., verdade, que alguns de vocês poderão adivinhar e seguir na íntegra.
Queria ainda acrescentar que, como disse, e agora, ó Cristina e padre Albino, cuja posição religiosa é bem conhecida - mas sem qualquer intenção, apenas para comentarmos isto -, como disse, repito, um padre franciscano que conheci, o ensino não ensina mesmo, desculpem a redundância, mas é assim mesmo que quero, as crianças e adolescentes a progredirem em valores humanos, educa-os antes para uma sociedade consumista.
Aires, estás a ver o progama de Francês? E com certeza assim ocorre em Inglês...Estás a ver quando damos as roupas? Pior ainda, as lojas, produtos e serviços da cidade? Os carros de marca francesa ? Viste no DVD do livro de sétimo ano "La salle de jeux" ? Pois é, o senhor padre franciscano tem toda a razão... Reconheço que podemos proceder de modo diferente, não ocultando isso - como ocultá-lo? Os miúdos sabem-no melhor do que nós..., - mas levando-os a reflectir criticamente. Mas, e o programa? E as próprias resistências dos alunos? A educação que trazem de casa? O exemplo da sociedade? Quando passas um DVD com uma miúda negra da idade deles e se riem e dizem "é só pretalhada!" ou se riem da outra porque como usa óculos grossos dizem que é feia - e aí eu digo: "Já virem um anúncio que passava na televisão e mostrava uma miúda de óculos,aparelho nos dentes, cabelo preso e para quem ninguém olhava, até que um dia tira óculos e aparelho, solta o cabelo e é mais bonita do que o que julgavam e passa a ser olhada pelos colegas da escola ou turma? Pois é..." Fazê-los reflectir também puxa por nós.
Este é um tema difícil e reconheço muitas imitações pessoais quanto ao mesmo. Gostaria que a discussão continuasse e que partilhássemos mais leituras e o que sabemos. (Gostaria mesmo?)
Obrigada!

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Voltando à importância do tema, aqui fica um vídeo de uma conferência de Alvin e Heidi Toffler, dois dos ensaístas mais respeitados do mundo. Em conferência de imprensa explicaram que o sistema de ensino actual está obsoleto.

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