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Projecto de Intervenção do Agrupamento de Escolas de Vila Cova - Barcelos

"Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos como animais envelhecidos;
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos:
como frutos de sombra sem sabor
vamos caindo ao chão apodrecidos."

(Eugénio de Andrade)...as mãos e os frutos dormem esta noite comigo...

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Respostas a este tópico

Eugénio, está também para mim, como um dos poetas de referência.
Tive o privilégio de assistir, aos sábados, aos encontros na sua casa, na Foz. Daí guardo não só as palavras (inter) ditas, mas sobretudo a sabedoria de um homem que conhecia cada palavra por dentro - a sua música, o seu peso, a sua dimensão...

Termino com quatro versos retirados de "Cumplicidade do Verão".
Rente ao Chão
Sem nenhuma razão a voz rompia,
a rasteirinha voz tão rente à vida
que se confunde com a luz do chão,
a luz de março rastejando ainda.

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"Passamos pelas coisas sem as ver" como é possivel!? Eu quetiono-me sobre isto bastantes vezes. A capacidade de o ser humano se adaptar é incrível... Inicialmente fazia-me bastante confusão cruzar-me com eles na rua, ver os seus rostos.
E agora?
Agora olho para eles, mas por vezes até parece que não os vejo, e eu pergunto-me "o que mudou?". Eles são os mesmos, continuam a ser pessoas que precisam de mim. E eu que faço? Nada.
Mas mais grave que não fazer nada é passar a olhar para eles de uma forma natural, ou até mesmo deixar de olhar para eles.
Como é que o ser humano tem esta capacidade de se adaptar?

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Também sempre questionei essa nossa capacidade de adaptação que desenvolvemos à medida que crescemos. Faz-me pensar no início do livro A minha vida, de Lou Andreas-Salomé:
A nossa primeira experiência, o que é extraordinário, é a de um deixar de ser. Um instante antes, e éramos ainda um todo indivisível.

Ou então um fragmento de um poema de Rilke:
O que perdemos, não será sobre isso
Que os nossos sonhos se erguem?
Só os sonhos? Que digo eu?

O que perdemos é que nos leva todo
O nosso mais terno enlevo!

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De facto é assim, mas não tem de o ser. Lembro-me sempre do livro/filme "favores em cadeia". Se cada um de nós for capaz de mudar a tendência das coisas, se calhar outros se seguirão. E aí poderão ter de ser os "outros" a adaptar-se.

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